sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Invasão da Rússia

Batalha de Bialistok
Ataque à Leningrado


31 de julho de 1940. Em Berchtesgaden, Hitler mantém uma reunião decisiva com os chefes da Wehrmacht. Finalmente, após longos meses de incerteza, resolveu atacar a Rússia a fim de assegurar de forma definitiva a supremacia da Alemanha na Europa.

O Fuhrer expões detalhadamente a seus generais os motivos de sua temerária decisão. A Inglaterra, contra toda a lógica, empenhou-se em continuar na guerra, com a esperança de que num curto prazo também os soviéticos se lançassem contra a Alemanha. Assim, para destruir essa esperança e forçar os britânicos a depor as armas, é necessário derrotar primeiro os russos. Com voz ameaçadora, Hitler exclama: - Não se trata de conquistar territórios! O objetivo é destruir a capacidade da Rússia de existir como nação.

A seguir, Hitler expõe, em traços largos, seu plano de ataque. A Rússia deve ser liquidada por meio de uma única e esmagadora investida. Data: maio de 1941. A Wehrmacht dividirá suas forças em duas grandes massas e se lançará ao ataque pelo norte e pelo sul, numa gigantesca manobra de envolvimento, que fechará suas tenazes sobre Moscou. A operação terá que se completar num prazo máximo de 5 meses, a fim de concluir a luta antes da chegada do inverno.

Em cumprimento às determinações de Hitler, o general Halder, chefe do Estado-Maior do Exército, iniciou imediatamente o estudo do plano de invasão. De acordo com sua idéia inicial, o centro de gravidade do ataque teria que desenvolver-se em direção a Moscou, apoiado por uma penetração paralela no sul, em direção à cidade de Kiev, capital da Ucrânia. Este plano foi posteriormente substituído por um projeto do general Marcks, a quem Hitler designou como assessor especial para o planejamento.

Marcks demonstrou, porém, que a campanha da Rússia não podia ser realizada como Hitler desejava, numa só ação de luta. Os exércitos soviéticos teriam que ser batidos em duas arremetidas sucessivas, a oeste e a leste da linha formada pelo rio Dniéper, situado a 500 km das posições de partida da Wehrmacht, na fronteira polonesa. A enorme extensão do território russo constituía, portanto, o principal obstáculo para a realização de uma “campanha relâmpago”.

Enquanto no Estado-Maior completavam-se os estudos do plano de operações sob o comando do general Paulus (que posteriormente, comandou o 6o Exército alemão que foi aniquilado em Stalingrado), procedia-se simultaneamente a reorganização das forças da Wehrmacht. A fim de contar com um número de unidades blindadas, formaram-se 10 novas divisões Panzer (blindadas) equipando-as, em sua maior parte, com tanques das divisões já existentes. Dessa forma, a quantidade de divisões subiu a 20, mas o potencial de cada uma dessas unidades diminuiu de 258 tanques para 196. A força total dos blindados foi aumentada em 1.000 veículos (na Rússia, os alemães empregaram 3.200 tanques contra 2.200 utilizados na campanha contra a França).

Em 26 de agosto, Hitler ordenou a primeira mobilização de tropas para o Leste. Dez divisões de infantaria e duas Panzer foram transportadas da França para a Polônia, a fim de formar uma proteção para cobrir a concentração das unidades restantes da Wehrmacht.


O Plano

No dia 12 de novembro de 1940, chegou a Berlim Vyacheslav Molotov. Ministro das Relações exteriores da Rússia. Hitler e Ribbentrop sustentaram com ele uma série de conferências e lhe ofereceram concretizar um pacto entre a Alemanha, Rússia, Itália e Japão, pelo qual as quatro potências totalitárias firmariam suas respectivas esferas de domínio na Europa, África e Ásia. Em princípio, os russos teriam o direito de assenhorar-se de todos os territórios situados sobre o oceano Índico.

O astuto diplomata russo não se deixa convencer pelas vagas propostas de Hitler e definiu claramente as aspirações soviéticas: os Balcãs, a Finlândia e o controle do estreito de Dardanelos. O Fuhrer, encolerizado; pôs fim às negociações e resolveu levar adiante, sem mais delongas, a campanha contra a URSS.

No dia 5 de dezembro, Halder apresentou a Hitler o plano elaborado pelo Estado-Maior para a invasão da Rússia. O ataque decisivo seria conduzido em direção a Moscou, a fim de bater o grosso dos exércitos russos que, como se esperava, defenderiam a rota de acesso à capital. Nas duas alas, ao norte e sul, seriam realizados, simultaneamente ataques paralelos, com a missão secundária de cobrir os flancos da penetração central. A Wehrmacht, portanto, dividiria suas forças em três grupos de exércitos. Dois deles, o do norte e o do centro, atuariam no espaço situado entre os extensos pântanos de Pripet e a costa do mar Báltico; o terceiro atacaria o sul dos ditos pântanos, na região da Ucrânia.

Halder havia determinado como primeiro objetivo da campanha, o aniquilamento de todas as forças soviéticas, calculadas numas 200 divisões, situadas entre a fronteira e a linha dos rios Dniéper e Duína. Com isso calculava-se conseguir a destruição da parte principal do exército russo. Em continuação, a Wehrmacht prosseguiria seu avanço para o leste a fim de eliminar os últimos restos das forças soviéticas, cujo núcleo mais importante esperava-se encontrar na frente de Moscou. Os grupos de exército seriam precedidos no ataque por poderosas formações blindadas, cuja missão seria penetrar profundamente e com rapidez na retaguarda, com a finalidade de criar condições para a completa destruição dos exércitos russos numa série de grandes batalhas de cerco. As unidades de infantaria avançariam em marchas forçadas atrás dos tanques, para tomar a seu encargo o envolvimento e deixar em liberdade as Guarnições Blindadas para que estas continuassem sem interrupção sua penetração no Leste.

Hitler, após escutar atentamente a exposição de Halder, declarou que uma vez alcançada a linha do Dniéper, devia ser prevista a transferência do centro da gravidade do ataque para o norte, a fim de apoiar com as unidades blindadas do grupo central a ação das forças encarregadas da ocupação da costa do Báltico. A seguir, acrescentou que a ocupação de Moscou não era, a seu ver, da maior importância. O marechal Brauchitsch tentou rebater este argumento, mas teve que se calar, diante da reação colérica do ditador.

Foi assim que surgiu, desde o primeiro momento, uma profunda divergência entre Hitler e os chefes do exército no que dizia respeito aos objetivos finais da campanha. Este desentendimento teria, futuramente, funestas conseqüências para a Wehrmacht.

No dia 18 de dezembro de 1940, Hitler assinou a Determinação n° 21, que ordenava a invasão da Rússia. O documento, em código, tinha o nome de “Barbarrossa” escolhido pelo próprio Fuhrer. Neste plano, determinava-se de forma detalhada o planejamento de operações de Hitler. O grupo de exércitos “Centro” depois de cumprir sua missão a oeste do Dniéper, devia destacar “partes importantes das tropas rápidas para o norte, a fim de cooperarem com o grupo de exércitos norte, que operará da Prússia Oriental em direção a Leningrado, aniquilando as forças inimigas que lutam na região báltica”. O ataque principal, portanto, não teria lugar em direção a Moscou. Hitler especificava expressamente: “Logo após haver assegurado esta tarefa de máxima prioridade, à qual se deve seguir a ocupação de Leningrado e Kronstadt, continuarão as operações ofensivas para ocupar o importante centro de comunicações e de indústria de guerra de Moscou”.

Brauchitsch e Halder não se atreveram a contradizer novamente o Fuhrer e acataram sem discussão suas determinações, na esperança, de que, uma vez iniciadas as operações, Hitler se convenceria por si mesmo da necessidade de voltar todo o peso do ataque contra Moscou e não contra Leningrado. A fim de facilitar essa mudança de atitude, Halder, ao estabelecer, em 31 de dezembro, a distribuição definitiva das forças entre os três grupos de exército, acrescentou ao grupo “Norte” uma poderosa massa de 26 divisões de ataque (três blindadas, três motorizadas e 20 de infantaria), para que pudesse cumprir de forma autônoma, sua missão, sem receber o apoio das unidades blindadas do grupo “Centro”.

A Wehrmacht prepara o ataque

Na véspera da invasão à Rússia, a Wehrmacht encontrava-se no apogeu do seu poderio. As repetidas e extraordinárias vitórias obtidas desde o início da guerra, havia rodeado o exército alemão de uma auréola de invencibilidade que se traduzia na cega confiança de seus chefes, oficiais e soldados na própria superioridade sobre qualquer adversário. Não é de estranhar, portanto, que Hitler estivesse plenamente convencido que conseguiria aniquilar o exército russo, desacreditado na recente e sangrenta guerra contra a pequena Finlândia, em questão de 5 ou 6 semanas.

Foi por isto que, diante das forças russas, calculadas numas 213 divisões, das quais 188 acreditava-se que estavam na região da fronteira, os alemães mobilizaram uma massa de ataque de 145 divisões. A inferioridade numérica, tanto de homens como de armamentos (tanques, aviões, canhões, etc) supôs-se que seria amplamente compensada pela melhor qualidade do material alemão e à superior capacidade combativa e experiência de seus soldados. Por isto, o Alto Comando considerou possível reter na Europa Ocidental, Balcãs e África do Norte, 60 divisões. Como única reserva dos exércitos que oporia contra a URSS, a Wehrmacht dispunha de 26 divisões. Esta reduzida força teria que cobrir as necessidades de uma frente que, no começo da luta, teria uma extensão de 1.250 km e, na fase final da campanha, ao alcançar a linha entre o Mar Branco e o Cáucaso, teria cerca de 4.000 km.

Todas as possibilidades de êxito do plano alemão descansavam no fato de que as operações deviam se desenvolver num ritmo extremamente rápido. Era preciso bater os exércitos russos e alcançar os objetivos finais, situados 1.000 km dentro do território russo, antes que o Governo soviético conseguisse mobilizar e aparelhar as imensas reservas humanas do país (calculadas nuns 15.000.000 de homens aptos para a guerra). As poderosas e velozes divisões blindadas, provadas em repetidas campanhas fulminantes, constituíam o elemento decisivo nesta corrida contra o tempo.

Hitler, por sua vez, estava absolutamente convencido de que o povo russo havia de levantar-se em massa contra o comunismo, assim que as forças alemães transpusessem as fronteiras e alcançassem as primeiras vitórias. “Bastará que batamos na porta, para que todo o edifício venha a baixo”, disse com jactância a seus assessores.

Obedecendo às determinações do Fuhrer, o Alto-Comando distribuiu as forças da Wehrmacht da seguinte maneira:
Grupo de Exércitos “Norte”, comandado pelo marechal Ritter von Leeb, com dois exércitos de infantaria, o 18o do general von Kuchler e o 16o do general Busch e a Guarnição Blindada IV do general Hoeppner. Objetivo: destruir os exércitos soviéticos na costa do Báltico, ocupar Leningrado e cooperar com o Grupo de Exércitos “Centro”, na marcha sobre Moscou. Esta força contava com o apoio da 1a Luftflotte (Força Aérea) do general Keller, com 400 aviões.
Grupo de Exércitos “Centro”, comandado pelo marechal von Bock, com dois exércitos de infantaria, o 4o do marechal von Kluge e o 9o do general Strauss, aos quais, depois se acrescentou o 2o do general von Weichs. Além disso, as Guarnições Blindadas II do general Guderian e II do general Hoth. Objetivo: realizar o ataque principal ao norte dos pântanos de Pripet e, depois de aniquilar as forças russas e alcançar a linha do Dniéper, na altura da cidade de Smolensk, destacar suas unidades blindadas em apoio do Grupo de Exércitos ‘Norte”. Como missão posterior, teria a seu cargo, junto com o Grupo de Exércitos “Norte” , completar a destruição dos restos do exército russo na frente de Moscou, e ocupar a capital. Esta força seria apoiada pela 2a Luftflotte do general Kesselring, com 1.500 aviões.
Grupo de Exércitos “Sul”, comandado pelo marechal von Rundstedt, com três exércitos de infantaria alemães, o 6o de von Reichenau, o 17o do general von Stulpnagel e o 11o do general Schobert, os 3o e 4o exércitos de infantaria romenos e ainda o Corpo de Exército Húngaro. Além disso, a Guarnição Blindada I, do general von Kleist, contava com o apoio da 4a Luftflotte do general Loehr, com 750 aviões. Objetivo: atacar ao sul dos pântanos de Pripet, aniquilar os exércitos russos a oeste do Dniéper e ocupar Kiev. Como missão posterior, cobrir o flanco sul do Grupo de Exércitos “Centro”, em seu avanço sobre Moscou e alcançar a desembocadura do rio Don.
Na Finlândia, o exército denominado “Noruega”, comandado pelo general von Falkenhorst e dois exércitos finlandeses às ordens do marechal Mannerheim. Objetivo: as forças alemães ocupariam Petsamo e logo avançariam sobre a costa do mar de Barents, a fim de tomar o porto russo de Murmansk. Os finlandeses penetrariam para o sul, pelo istmo de Carélia, a fim de envolver pela retaguarda Leningrado.

No mês de janeiro de 1941, começou a concentração final das forças alemães na Polônia, Prússia Oriental e Romênia. Mais de 3.000.000 de soldados, 600.000 veículos motorizados e 600.000 cavalos integravam o imenso exército invasor. O deslocamento das tropas se realizou num ritmo crescente e ficou praticamente completado no mês de maio.

Dois fatos contribuíram para atrasar o início das operações que, por ordem de Hitler, deviam começar a 15 de maio. A conquista da Iugoslávia e Grécia, na qual intervieram numerosas unidades blindadas do Corpo de Exército “Sul”, de von Rundstedt, obrigou Hitler a atrasar por seis semanas o ataque à Rússia. Além disso, as chuvas da primavera e as grandes inundações provocadas pelo degêlo, prolongaram-se além das datas previstas. Todo o terreno situado na frente ao Grupo de Exércitos “Centro” ficou coberto de água e lodo até meados de junho. No norte, as intensas e persistentes chuvas transformaram os caminhos em imensos lodaçais.

No dia 22 de junho, nova data fixada por Hitler para o ataque; o tempo se estabilizou e os terrenos ficaram firmes e secos. A Wehrmacht podia começar seu avanço.

Começa a invasão

Na madrugada de 22 de junho de 1941, o embaixador alemão em Moscou, conde Fiedrich von Schulenburg, entregou a Molotov a declaração de guerra da Alemanha contra a URSS. Ao mesmo tempo, em Berlim, Ribbentrop mandou chamar o embaixador soviético Vladimir Dekanozov e lhe entregou uma nota semelhante. Às 3:15, os canhões alemães romperam fogo ao longo da imensa frente. A luta havia começado.

O Grupo de Exércitos “Centro”, precedido das colunas blindadas de Guderian e Hoth lançou-se ao ataque contra as forças soviéticas comandadas pelo general Pavlov. Este chefe dispunha de três exércitos, o 3o, o 4o e o 10o , cujas forças estavam agrupadas na fronteira, numa grande saliência cujo centro se achava na cidade de Bialistok. Isto facilitou a manobra de envolvimento que, rapidamente, as forças blindadas alemães realizaram. Avançando pelo norte e pelo sul, as Guarnições Blindadas de Hoth e Guderian romperam as linhas russas e penetraram profundamente na retaguarda, num movimento de tenaz. A infantaria, realizando um supremo esforço, seguiu em marchas forçadas o avanço dos tanques, deslocando-se por estradas secundárias em meio a asfixiantes nuvens de poeira.

No dia 26 de junho, os tanques de Hoth penetraram na cidade de Minsk, e, no da seguinte, convergiram ao sul, sobre a localidade onde estavam as colunas blindadas de Guderian. Ficou assim fechado o gigantesco cerco no qual ficaram envolvidos os três exércitos russos do general Pavlov. Guderian ordenou imediatamente que suas unidades de vanguarda prosseguissem em avanço para leste. Na manhã do dia 1o de julho, a 3a divisão blindada cruzou o Beresina e continuou a toda velocidade, a marcha para o rio Dniéper.

Porém, foram deixadas para trás as forças de infantaria, empenhadas numa luta dura e sangrenta contra as unidades russas localizadas em torno de Bialistok e Minsk. Pela primeira vez desde o início da guerra, os alemães encontravam-se frente a frente com um adversário que recusava-se a se render apesar de estar cercado e sem possibilidade nenhuma de escapatória.

Os 4o e 9o exércitos de infantaria do marechal von Kluge e o general Strauss completaram no norte e no sul o cerco das forças de Pavlov tornando a empregar as unidades blindadas. No entanto, as violentas arremetidas que realizavam as forças russas fizeram com que von Kluge ordenasse a intervenção das unidades blindadas nas lutas de aniquilamento. A 17a DP, que devia cumprir essa missão, não recebeu a ordem a tempo e continuou seu avanço para o rio Beresina. Kluge, acreditando que se tratava de um ato de insubordinação de Guderian, fê-lo comparecer imediatamente no posto de comando, com a intenção de submetê-lo a um conselho de guerra. Guderian, porém, deu-lhe as explicações cabíveis e o incidente ficou superado. Manteve-se, contudo, um clima de profunda divergência entre o impetuoso chefe das forças blindadas e o veterano marechal.

No dia 3 de julho, o grosso das forças russas cercadas em Bialistok capitulou. A luta, porém, prosseguiu em outras frentes menores ao longo da estrada que vai para Minsk. No dia 9, terminou, finalmente a batalha. Mais de 300.000 prisioneiros, 2.500 tanques e 1.400 canhões haviam caído em mãos dos alemães.

As colunas blindadas, entretanto, haviam continuado seu avanço para o Dniéper, cujas margens alcançaram no dia 5. Os aviões de reconhecimento comprovaram que grandes massas russas marchavam do este, em direção ao rio, onde os alemães se empenhavam em violentas lutas. Guderian compreendeu no mesmo momento que devia lançar-se imediatamente ao ataque, com o fim de impedir que os soviéticos organizassem uma nova e poderosa barreira defensiva atrás do Dniéper.

Por sua própria iniciativa, e sem esperar nem receber ordens do Alto-Comando, Guderian ordenou a seus tanques que vadeassem o Dniéper e avançassem contra a cidade de Smolensk, na manhã do dia 10 de julho. Sem demora, as unidades blindadas começaram os preparativos para pôr em prática a operação. Já haviam aparecido na frente novas unidades russas e, o que era pior, essas forças contavam com uma nova arma que surpreendeu os alemães: o tanque médio T-34, em cuja grossa couraça se perdiam os projéteis antitanque de 47 mm. Este veículo era nitidamente superior aos blindados alemães.

No dia 9 de julho, apresentou-se intempestivamente no posto do general Guderian, o marechal von Kluge que, violentamente, expressou seu desacordo com o projetado cruzamento do Dniéper pelas forças blindadas. Na sua opinião, os tanques deviam aguardar nas posições conquistadas até que se incorporassem as forças de infantaria. Guderian rebateu energicamente seus argumentos e frisou que os preparativos para o ataque já estavam em tão adiantado estágio que não podiam suspender as operações. Von Kluge, enfurecido, teve, finalmente, que dar seu consentimento ao ataque. Mas, antes de se retirar, disse, com amargura, a Guderian: - Todas as suas operações pendem sempre por um fio de seda!

Avanço no Norte

O Grupo de Exércitos “Norte”, do marechal von Leeb iniciou suas operações com um retumbante êxito das unidades blindadas. O 56o Corpo Blindado, comandado pelo general von Manstein, terminou, na noite de 21 de junho, sua concentração nos bosques situados sobre a fronteira. Sem deter sua marcha, os tanques de Manstein arremetiam a toda velocidade para a cidade de Dunaburgo, a fim de capturar intactas as pontes que, naquela localidade cruzam o rio Duína. Combatendo encarniçadamente, os blindados alemães, abriram caminho através das unidades russas que se opunham ao avanço. Finalmente, às 8:00 do dia 26 de junho, os tanques de vanguarda da 8a divisão blindada, penetraram inesperadamente em Dunaburgo e, com um golpe audacioso, tomaram as pontes. Em quatro dias, e sem deixar de combater, os blindados de Manstein haviam percorrido mais de 300 km.

Manstein apressou-se em continuar o avanço para o norte, a fim de aproveitar a confusão que sua fulminante penetração havia provocado entre as forças soviéticas. No entanto, o temerário projeto foi frustrado por uma ordem imperativa do Alto-Comando. Devia permanecer em Dunaburgo, guardando as pontes até que se incorporasse o 41o Corpo Blindado e parte das forças de infantaria do 16o exército, que ainda se achavam ao sul, combatendo com os russos.

Ao ficar imobilizado em Dunaburgo, o 56o Corpo Blindado foi rapidamente atacado por forças russas que convergiam de todas as direções; contudo, os aviadores russos fizeram desesperados esforços para destruir as pontes do Duina, mas chocaram-se contra a barreira do fogo antiaéreo alemão e sofreram terríveis perdas sem conseguir seu objetivo.

No dia 2 de julho, os blindados de Manstein se incorporaram às unidades restantes da 4o Grupamento Blindado que, conduzida pelo general Hoeppner, deu início à marcha para Leningrado. O avanço, no entanto, tornara-se muito mais difícil, pois os russos, aproveitando a pausa de seis dias que lhes haviam dado a parada dos tanques alemães em Dunaburgo, haviam-se entrincheirado fortemente ao longo da estrada. Sustentando violentos combates, a Guarnição de Hoeppner aproximou-se da margem meridional do lago Peipus.

Hoeppner decidiu, então, separar novamente suas forças e ordenou a Manstein que se desviasse para o oeste, a fim de cair sobre as costas das forças russas que supunha localizados junto ao lago Peipus. As divisões de Manstein foram, porém, desembocar numa região pantanosa que bloqueou por completo seu avanço e tiveram que renunciar à manobra de cerco.

Chegara o momento de iniciar o ataque em direção a Leningrado, com todos os elementos blindados da 4a Guarnição Panzer. O general Hoeppner, porém, dividiu outra vez suas forças. O 41o Corpo Blindado continuou o avanço para Leningrado e o 56o Corpo Blindado de Manstein partiu em direção à estrada que liga aquela cidade à Moscou. As duas investidas careceram, porém, de potência para quebrar a obstinada resistência dos soviéticos e o avanço alemão estacionou.

Os russos detêm Von Rundstedt

Ao sul dos pântanos de Pripet, diante do grupo de exércitos de von Rundstedt, os russos concentraram quatro poderosos exércitos e o grosso de suas forças blindadas. Era nesse setor da frente que o Alto-Comando soviético pensava que os alemães iam desenvolver seu ataque principal. Por esta razão, a 1a Guarnição Blindada, de von Kleist, ao tentar romper, chocou-se com uma massa de mais de 2.500 tanques soviéticos.

Os exércitos russos, comandados pelo hábil general Kirponos, desataram uma série de violentos contra-ataques sobre a mesma fronteira, pondo na luta, todas as suas reservas e conseguiram impedir a penetração alemã até 27 de junho. Nesse dia, Kirponos irrompeu, finalmente, a sangrenta batalha e avançou paulatinamente com suas dez divisões.

No dia 30 de junho, as tropas do 17o exército do general Stulpnagel, conseguiram tomar a cidade de Lemberg e a resistência russa começou a ceder. Imediatamente, a 1a Guarnição Blindada redobrou seus ataques, e, no dia 5 de julho, conseguiu romper as fortificações da linha Stalin, apoderando-se, no dia 7, da cidade de Berdichev e, no dia 9, de Shitomir. Estas localidades dominavam a rota de avanço para Kiev. Para esta cidade marchou velozmente a 13a divisão blindada.

Nessas circunstâncias, interveio Hitler e, mediante uma ordem categórica, proibiu o emprego de tropas blindadas na conquista de Kiev. Dois dias mais tarde, outras divisões blindadas alemães se aproximaram a poucos km da cidade e, ali, em cumprimento à ordem do Fuhrer, detiveram a sua marcha. Perdeu-se, assim, a oportunidade de conquistar Kiev e vadear o Dniéper por meio de um golpe das unidades blindadas. Isto teria decisiva influência no futuro desenrolar da campanha, pois permitiu aos russos construir em torno de Kiev uma forte posição defensiva que deteve o avanço do Grupo de Exércitos “Sul”.

De 10 a 14 de julho, os russos realizaram desesperados esforços para quebrar a cunha introduzida em suas linhas pela 1a Guarnição Blindada, e lançaram na luta mais de 20 divisões apoiadas por fortes unidades de tanques. Os alemães, entretanto, conseguiram finalmente esgotar a potência da investida russa e começaram a continuação de um movimento de envolvimento para o sul, a fim de cercar todos os exércitos russos que ainda combatiam ao oeste do Dniéper.

Dessa maneira, em princípios de julho de 1941, a Wehrmacht no norte, centro e sul da URSS, deu por terminada a sua penetração, como dispositivo defensivo que se estendia ao longo das fronteiras. Chegava agora o momento de iniciar as batalhas decisivas nas quais seria aniquilado o grosso dos exércitos russos.

Inglaterra e Estados Unidos apóiam a Rússia

A invasão da União Soviética pelos alemães não surpreendeu Churchill. O líder inglês, já em fins de março de 1941, tinha chegado à conclusão, baseado nos informes do seu serviço de inteligência e referentes à crescente concentração das forças da Wehrmacht no leste da Europa, que Hitler se propunha lançar seus exércitos em um ataque maciço contra a URSS. Portanto, em 3 de abril de 1941, enviou uma mensagem a Stalin, por meio de seu embaixador em Moscou, Sir Sttaford Cripps, colocando-o de sobreaviso sobre a verdadeira natureza dos deslocamentos das forças germânicas na Polônia, Romênia e nos Balcãs. Anthony Eden, Ministro inglês das Relações Exteriores, anexou ao telegrama enviado a Cripps uma extensa nota que incluía uma frase definitiva: “O que queremos que eles (os russos) compreendam, é que Hitler propõe-se atacá-los cedo ou tarde, se puder fazê-lo, e que o fato de se encontrar em luta conosco não é um obstáculo suficiente para impedi-lo..”

Uma série de mal-entendidos fez que Cripps entregasse a nota no dia 19, com considerável atraso. A mensagem chegou às mãos de Stalin, mas este, por meio de seus subordinados, limitou-se a acusar o recebimento da nota, sem dar uma resposta concreta. Apesar da indiferença do líder russo, Churchill resolveu dar os passos iniciais para concretar uma ação conjunta com os Estados Unidos em apoio à URSS. No dia 15 de junho de 1941, enviou uma mensagem ao Presidente Roosevelt, comunicando-lhe seus temores sobre o iminente ataque alemão à Rússia. Na nota dizia: “Em caso de que esta nova guerra estoure, nós, certamente, daremos todo o alento e a ajuda que possamos proporcionar aos russos, seguindo o princípio de que Hitler é o inimigo que devemos derrotar”. Roosevelt, concordando inteiramente com os conceitos de Churchill, enviou sua resposta, por meio do seu embaixador em Londres, John Gilbert Winnat. Este viajou de Washington até a capital inglesa e no dia 20 de junho encontrou-se com Churchill, comunicando-lhe que Roosevelt tinha expressado sua promessa de que se os alemães atacassem a Rússia daria imediatamente e em forma pública seu apoio a qualquer alerta que desse o primeiro-ministro inglês, declarando a Rússia como integrante do conjunto aliado.

Chegamos assim ao dia 22 de junho de 1941. Nas primeiras horas da manhã, Churchill recebe a notícia da invasão da URSS pelos alemães. Sem vacilar, o líder inglês ordenou a seus subordinados que anunciassem ao país que essa noite, às 21:00, dirigiria uma mensagem sobre os acontecimentos. Em seu discurso, Churchill não ocultou sua velha militância anticomunista, dizendo: “Ninguém tem sido um opositor mais firme ao comunismo do que eu fui nos últimos 25 anos. Não apagarei uma só palavra das que pronunciei sobre o mesmo. Mas tudo isso se desvanece ante o espetáculo que agora se está vislumbrando. O passado, com seus crimes, suas loucuras e suas tragédias se extingue... Todo homem ou Estado que lute contra o nazismo terá nossa ajuda. Todo homem ou Estado que marche com Hitler é nosso inimigo... Essa é nossa política e essa é nossa declaração. Assim, daremos toda a ajuda que possamos à Rússia e ao povo russo. Solicitamos a todos os nossos amigos e aliados, de todas as partes do mundo, que empreendam o mesmo caminho e o sigam como faremos nós, fiel e inamovivelmente até o fim”.

A declaração de Churchill não encontrou eco imediato na URSS. Só alguns parágrafos apareceram no Pravda, sem comentários. O primeiro-ministro inglês, no entanto, não desanimou ante a fria acolhida e no dia 7 de julho enviou uma mensagem pessoal a Stalin, comunicando-lhe que a Inglaterra prestaria toda a ajuda que pudesse dar à Rússia. Stalin, entretanto, entrevistou-se com o Embaixador Sttaford Cripps e discutiu com ele a possibilidade de formar um acordo de ajuda mútua e um compromisso que obrigasse às nações aliadas e não assinar a paz com a Alemanha, por separado. Churchill deu imediata aprovação ao projeto de Stalin. A assinatura do acordo foi realizada em 12 de julho.

ANEXO

O Plano “Barbarrubra”
O Fuhrer e comandante-supremo da Wehrmacht. OKW/WFST/Seção L (I) n° 33 408/40. QG do Fuhrer, 18 de dezembro de 1940. Ordem n° 21.
Operação “Barbarrubra”
A Wehrmacht alemã deve estar preparada para, inclusive, antes do término da guerra contra a Inglaterra, aniquilar a URSS no curso de uma rápida campanha (operação Barbarrubra).
O exército deverá colocar à disposição deste plano todas as unidades com que conta, com as limitações impostas pelas necessidades de manter protegidas contra surpresas as regiões ocupadas.
A Luftwaffe se incumbirá de liberar forças tão potentes durante a campanha do Este, para o apoio do exército e para que se possa contar com uma rápida evolução das operações terrestres, e se reduzir ao mínimo os danos contra as regiões da Alemanha oriental e eliminar os ataques aéreos inimigos. A formação do ponto de gravidade do Este terminará quando todas as zonas de luta e de fabricação de armamento, ocupadas por nós, estejam suficientemente protegidas contra os ataques aéreos, sem que por isto cessem as ações bélicas contra a Inglaterra, de modo especial contra as suas vias de abastecimento.
A ordem de desdobramento contra a URSS será dada por mim, oito semanas antes que comecem as operações previstas. Os preparativos que requeiram um prazo de tempo mais longo, no caso de que ainda não tenham sido previstas, deverão ser estudados a partir de já, e terminados antes do dia 15 de maio de 1941.
Os altos-comandos devem começar seus preparativos sobre as seguintes bases:
1. Objetivo geral: A massa do Exército russo destinado à Rússia ocidental deverá ser aniquilada no curso de ousadas operações, fazendo avançar cunhas blindadas e impedindo, ao mesmo tempo, a retirada de unidades de combate para o interior da Rússia. Numa rápida perseguição, deve-se alcançar uma linha na qual a aviação russa não possa atacar o território alemão. O objetivo final das operações é a proteção contra a Rússia asiática, partindo da linha geral Volga-Arcanjo.
Adolf Hitler


Distribuição das forças russas
Fronteira Russo-finlandesa:
Três exércitos: 7o, 14o e 23o, sob o comando do Tenente-General Popov
Região do Báltico:
Três exércitos: 8o, 11o e 27o, de reserva sob o comando do General Kuznetsov. Na véspera da ofensiva alemã, os trabalhos de fortificação não estavam terminados e o desdobramento dos 13o e 11o exércitos não se tinha concluído. Somente uma divisão do 8o exército e três divisões do 11o cobriam a fronteira.
Região Oeste:
Três exércitos: 3o, 4o e 10o, sob o comando do general Pavlov. Os efetivos dos três exércitos se encontravam ainda em período de instrução e apenas algumas unidades defendiam a fronteira.
Região de Kiev:
Três exércitos: 5o, 6o e 26o, sob o comando do general Kirponos. As divisões estavam aquarteladas a uma distância que oscilava entre 5 e 40 km da fronteira. As unidades mecanizadas achavam-se ainda mais atrás, entre 40 e 120 km da fronteira.
Região de Odessa:
Um exército: o 9º Algumas divisões de reserva. Tudo sob o comando do General Tiuleniev. Diante do dispositivo ofensivo da Wehrmacht, o Exército Vermelho enfileirava umas 76 divisões de infantaria, 4 divisões blindadas, 24 de cavalaria e 13 corpos mecanizados (composto de uma brigada cada um).
Pouco depois de iniciada a invasão alemã, o alto-comando russo procedeu a uma nova agrupação de forças. Foram criados três grandes comandos sob a chefia dos marechais Voroshilov, Timoschenko e Budieni, que, respectivamente, tomaram a seu cargo a direção dos exércitos russos no norte, centro e sul do país.


O vôo de Rudolf Hess
Na noite de 10 de maio de 1941, o comodoro Adolf Galland, chefe do grupo de caça 26 da Luftwaffe, recebeu um intempestivo chamado telefônico do marechal Goering: - Deve levantar vôo imediatamente com todo o seu grupo! - gritou Goering, do outro lado da linha. - Hess enlouqueceu e está voando para a Inglaterra, num Messerschmitt 110. Precisa derrubá-lo!
Imediatamente Galland transmitiu a seus subordinados ordens para que interceptassem o aparelho de Hess. As esquadrilhas levantaram vôo e, durante horas, patrulharam sem resultado o espaço aéreo em torno das costas da Inglaterra, sem achar o rastro do Messerschmitt. A presa tinha conseguido escapar.
Hess, escapulindo com seu avião, ao abrigo da noite, conseguiu alcançar as costas da Escócia e continuou voando para o interior. Finalmente, quando acabou o combustível, lançou-se de pára-quedas. O Messerschmitt, sem controle, entrou em vertiginosa picada e foi espatifar-se num campo semeado. Um camponês, armado com um ancinho, foi ao encontro do pára-quedista nazista. Hess, que vestia o uniforme de piloto da Luftwaffe, entregou-se sem resistência e se identificou como sendo o Tenente-Aviador “Horn”. Foi conduzido, rapidamente, a Glasgow, onde , finalmente, foi reconhecido pelas autoridades militares.
A notícia da captura de Hess chegou ao conhecimento de Churchill na tarde de 11 de maio. O Duque de Hamilton, com quem o nazista tinha pedido uma entrevista, dirigiu-se para a casa onde estava repousando o primeiro-ministro e comunicou-lhe o extraordinário acontecimento. Churchill ordenou que Hess fosse condignamente tratado como prisioneiro de guerra.
Nessa mesma noite, os funcionários do Foreign Office, entrevistaram-se com Hess e receberam do dirigente nazista uma insólita declaração. Havia viajado para a Inglaterra por sua própria vontade, a fim de atuar como emissário de paz junto aos britânicos. Hitler não tinha participação nenhuma naquilo.
Em Berlim, o Fuhrer ordenou aos seus assessores que anunciassem que Hess havia enlouquecido. A notícia não demorou a ser divulgada por todas as rádios da Alemanha: “O membro do Partido Nazista Rudolf Hess, apoderou-se recentemente de um avião, contrariando as estritas ordens do Fuhrer que o proibiam de voar, em razão da doença de que sofria, a qual tinha-se agravado nos últimos tempos. No dia 10 de maio, às 6:00, Hess empreendeu um vôo de Ausburg, e até agora não regressou...”
Hitler sem saber, tinha acertado. Em repetidas entrevistas com Hess, os funcionários ingleses comprovaram evidentes sintomas de alteração mental. Ao ser examinado por um médico, Hess confessou os estranhos motivos que o levaram a realizar aquele vôo. Pouco tempo antes, Karl Haushofer, o célebre geopolítico alemão, havia dito a Hess que, em repetidas ocasiões, sua imagem lhe surgira em sonhos pilotando um avião com rumo desconhecido. Hess interpretou estas visões como sendo uma mensagem que lhe assinalava a missão de voar para a Inglaterra como emissário de paz...
Evidentemente, o chefe nazista não se encontrava em seu perfeito juízo. Apesar disso, sua viagem deu origem a muitas conjeturas em todos os países. A versão mais aceita foi aquela segundo a qual ele teria ido à Inglaterra para acertar um acordo que permitisse a Alemanha concentrar todas as suas forças militares para a invasão da Rússia. Stalin mesmo acreditou nisto, segundo contou Churchill, quando se encontrou com ele em Moscou, em 1944.


Proclamação de Hitler
Povo alemão:
Neste preciso momento, realiza-se uma marcha sem precedentes do exército alemão. A tarefa deste exército é a de salvaguardar a Europa, e, deste modo, salvar tudo. Por isto, decidi colocar a sorte do povo do Reich e da Europa, novamente nas mãos de nossos soldados. Para mim era um passo difícil enviar um embaixador a Moscou a fim de que fizesse todo o possível para impedir a política de cerco contra a Alemanha. Tinha a esperança de que, no último momento, seria possível suprimir a tensão.
Há aproximadamente 106 divisões russas sobre nossas fronteiras e, durante semanas, sua infantaria e sua aviação cometeram constantes violações nas fronteiras da Alemanha, Finlândia e Romênia.
Se até agora vi-me obrigado pelas circunstâncias a manter, repetidamente, o silêncio, devo dizer-lhe que chegou o momento em que suportar mais tempo essa situação, não somente seria uma falta por omissão, como também um crime contra o povo alemão e, acima de tudo, contra toda a Europa. Por conseguinte, chegou a hora em que é necessário empreender a marcha contra essa conspiração judia-anglo-saxônica e também contra as autoridades semitas do centro bolchevique de Moscou.
Disto conclui-se que o nosso dever nessa frente já não é mais de proteção das próprias terras, senão o d salvaguardar a Europa e acudir em socorro de todos. Assim, hoje decidi uma vez mais colocar nas mãos do exército a sorte e o futuro do Reich alemão e de nosso povo. Que Deus nos ajude nessa luta.
Berlim, aos 22 dias de junho de 1941. Adolf Hitler


Primeiro projeto de invasão
Estudo realizado pelo Estado-Maior alemão, sob a direção do General von Paulus
Ponto de partida Azul (exército alemão)
1. Em primeiro lugar... aniquilar, mediante rápidas operações e fazendo avançar cunhas blindadas, as unidades do Exército russo que se encontravam na Rússia ocidental, e impedir, ao mesmo tempo, que as unidades que ainda estivessem em condições de intervir na luta pudessem locomover-se para o interior do país.
Primeiro objetivo: Ucrânia, Moscou, Leningrado. Ponto de gravidade em direção à Moscou. Objetivo final: Volga-Arcanjo. Para os russos, são de decisiva importância Moscou, como centro político, de armamento e de comunicações; Leningrado como centro de armamento; e a Ucrânia como celeiro central.
É incumbência do exército:
(a) com ajuda das forças aéreas destruir, em toda a costa, as melhores unidades do Exército russo. (b) não permitir aos russos mobilizarem toda a sua potência ofensiva. (c) aniquilar as partes isoladas do Exército russo, antes que possam organizar uma nova frente
2. Partir da suposição de uma tenaz resistência russa, ao atravessar a fronteira.
(a) por motivos políticos (b) por motivos militares
3. Por conseguinte, a missão que cabe ao exército é a seguinte:
(a) Concentração de forças, as mais potentes que for possível, em direção a Moscou (Grupo de Exércitos Centro). (b) Com relação às duas alas (Sul e Norte) é necessário coordenar dois objetivos que são divergentes entre si: Ucrânia e Leningrado. O Grupo de Exércitos Sul ficará separado durante a primeira fase do ataque ao Dniéper pelos pântanos de Pripet.
Ponto de partida Vermelho (exército russo)
Baseia-se exclusivamente em suposições.
Totalidade das forças russas (supostas): um total de 185 divisões de fuzileiros, 50 brigadas blindadas e motorizadas, aproximadamente 20 das quais estão na fronteira finlandesa; no Extremo-Oriente, aproximadamente 25; no Cáucaso e Oriente-Próximo, umas 15 divisões. Restam na frente alemã umas 175 unidades: 125 divisões de fuzileiros e 50 brigadas blindadas e motorizadas.

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